O dia em que eu quase morri

escrito por ♡ agosto 27, 2017

Lá vem a doida com as histórias malucas e sem noção, mas é, venho sim. Porque essa experiência de quase morte me parece bastante engraçada agora. Se isso tem ou não algum valor para a história, ciência e vida? Não. Mas eu vou contar mesmo assim.



Lá estava Haise indo para a biblioteca no ônibus mais universitário da cidade de São Luís, quando ela decide ir à biblioteca pegar um calhamaço daqueles (que não vou citar o título aqui, é assunto de outro post). Tudo bem, cheguei na biblioteca, peguei o livro e voltei para o ponto de ônibus, fazer o quê? Esperar o bom e velho UEMA Ipase. Ok. Daí eu avisto uma bela moça sentada com vááárias cocadas à venda. Ora, ora, eu amo cocada, pensei. Vou comprar uma. Comprei, o preço meio salgado, mas a cocada era GIGANTE, meus amigos. Como resistir? Eu não sabia o que fazer com a cocada, estava com vários livros na mão e nenhum lugar para apoiar. O ônibus demorando por DEMAIS e minha mochila pesada. O que fazer para acalmar essa bendita alma ansiosa? Provar um pedacinho do céu, ou melhor, cocada. Sim, comer no ponto de ônibus não parece uma boa ideia (e não foi), só que eu sendo a teimosa que sou, comi mesmo assim. Mas tem aquela velha história de guardar o melhor pra depois, peguei só um pouquinho e guardei o resto no mínimo espaço restante da mochila. Coitada da cocada amassada. Na hora que eu estava fechando a bolsa cruel, o zíper travou e eu fiquei lá tentando me equilibrar no meio de gente e ônibus jogando terra nas nossas caras, tentando fechar a bendita bolsa quando eu avisto o ônibus lá no final da avenida, é aquele momento que você vê um bando de gente se acumulando num só ponto da parada e todo mundo louco pra ver quem entra primeiro e eu lá tentando fechar o zíper. Ok, fechei e corri na hora quase certa do motorista fechar as portas, por pouco não fiquei presa entre elas, mas eu tive sorte.

Ou não.

Assim que eu ponho os pés dentro do UEMA, sinto aquele ventinho refrescante de ar condicionado, passo na catraca e me sento isolada na janela para observar o centro da cidade em pleno horário de pico. O ônibus parado e eu mastigando meu pedacinho de cocada calmamente. Enquanto isso, não sei o que o motorista estava fazendo, mas o ônibus demorou a entrar em ativa. Na hora que o motora (apelido dado carinhosamente aos motoristas de nossos queridos ônibus) resolve pisar no acelerador, o ônibus dá um solavanco, a cocada desce por goela abaixo sem ser mastigada e eu engasgo instantaneamente, de uma hora para outra. Em um minuto eu estava saboreando o meu bom e velho doce preferido, no outro eu estava soltando toda a água que eu havia bebido naquele dia pelos olhos. 

Eu tava desse jeito (ou pior).
O ônibus não-tão-cheio, na verdade, a pessoa mais perto de mim era uma menina do outro lado, na outra fileira de assentos, e ela não tinha percebido ainda que tinha uma pessoa QUASE MORRENDO BEM ALI DE TOSSIR E CHORAR INVOLUNTARIAMENTE. Olha, não sei explicar direito o que aconteceu, mas aconteceu. Procurei minha garrafa d'água dentro da mochila lotada, joguei os livros no assento ao meu lado, um deles era o tal calhamaço (nesse momento até pensei meu deus, vou morrer sem ter lido insira o nome do livro aqui), não achei a garrafa e logo lembrei que ela estava vazia, então não iria ajudar muito, né. Daí que chegou a parte pior, eu senti o doce, literalmente, gosto da morte chegando. Dos meus olhos já saíam lágrimas, que também começaram a sair pelo nariz, só que eu comecei a não conseguir mais respirar (?), eu puxava o ar pelo nariz e pela boca, e não conseguia. Então é isso, pessoal, vou morrer bem aqui entre tosse frenética, lágrimas, falta de ar e ninguém vai me ajudar, a humanidade não existe mais. Juro que eu pensei em puxar a cordinha e descer do ônibus, mas a força não vinha, simplesmente. Eu não conseguia me mexer e estava mais preocupada em respirar e tirar aquela bendita cocada da minha garganta. Eu não conseguia chamar ninguém, não conseguia fazer nada além de tossir alto e chorar. Foi então que a anjinha da menina entra na minha vida. Ela virou para mim nos últimos minutos do segundo tempo e perguntou "quer água???" com um tom meio desesperado por ter percebido que eu estava mesmo quase morrendo e não gripada. Eu gesticulei um "quero" meio louco e ela entendeu, me passou a garrafinha de água e eu tomei uns quatro goles e fui me acalmando. EU DEVO MINHA VIDA A ESSA MULHER. Porque assim que ela percebeu, logo expressou uma certa preocupação e sempre ficava me olhando pra saber se eu tava melhor. Não deu tempo de procurar o nome dela, nem agradecer, só me restou a garrafinha na mão e a saída da moça no próximo ponto.

(obrigada, moça da garrafinha de água, tu sabes que eu te amo)

Overshare, a gente se vê por aqui.

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18 comentário(s)

  1. Que historinha de tirar o fôlego menina, realmente essa mulher foi uma luz em tua vida e tem que agradecer muito a ela, ótima postagem <3
    Beijos

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  2. Que susto que deve ter dado! E se não tivesse ninguém por perto? Ai credo!
    Adorei o post, continua

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  3. Que loucura! Adorei!
    Como diz minha mãe, não era a tua hora rsrsrs
    Bjs

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  4. Meu Deus consegui sentir sua angústia lendo esse texto, que sufoco hein (literalmente rsrsrs).
    Mas que bom que surgiu essa menina...

    Bjs

    https://blog-myselfhere.blogspot.com.br/

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  5. HAHAHAHAHA melhor história!!
    Nossa, isso tem muito cara de algo que eu faria. Há uns tempos atrás eu tinha tosse crônica nos momentos mais inconvenientes da vida. Cansei de dever minha vida aos anjos desconhecidos das garrafinhas de água kkkkkkkkkk
    Ainda bem que deu tudo certo no final e agora você pode rir da situação e ler o tal livro que você citou hahaha amei o post!
    Beijos,
    Karina.
    Páginas Empoeiradas

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  6. Oiiie

    Morri hahahahah Menina, já tive esse surto de tosse e sei como é você querer ajuda e todo mundo te ignorar!

    Que bom que deu tudo certo! Esse tipo de post nos mostra que essas loucuras da vida acontecem com todo mundo :D

    Beijos

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  7. Oiii
    Caramba O___O, Só lendo fiquei toda Aiiii, credo , Realmente que susto O__O kkkkkk mesmo assim continua,o post ta ótimo.

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  8. Pior sensação do mundo! PAssei por isso esses dias, misericórdia fui ficando roxa, sem ar, ainda bem q uma menina me deu um tapa nas costas, lendo seu relato revivi tudo de novo, kkkkkkkkkkkkk

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  9. Deus me livre de algo assim, acho que morreria sem ninguém ver - ou se importar kkkkk. Pelo que você nos contou acho que a morte sentou do seu lado no ônibus, credo! Ainda bem que a pessoa certa estava lá! Mais sorte das próximas vezes kkkkk
    Abraços 😊

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  10. Menina que história, ainda bem que tinha essa mulher para te ajudar em! Que susto você passou em, fico muito feliz que deu tudo certo!

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  11. Fico feliz que tudo deu mega certo .Mais assim bem desesperador .Realmente esse tipo de coisa acontece mesmo.

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  12. Eu também amo cocada e gigante, melhor ainda, fico comendo super devagar. Achei sua história boa, tem que ser contada mesmo, gosto de ler sobre essas experiências. Sim, você deve sua vida a essa mulher, que sorte a sua nesse dia.

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  13. Oi!!
    Conforme lia o texto fiquei lembrando do meu tempo na universidade, as corridas para pegar o ônibus e os vários micos que paguei, pois sou um ser um tanto atrapalhado.
    Menina eu imagino que a sensação de estar engasgada não deve ser nada agradável, mas ainda bem que a menina da garrafa percebeu que tinha algo errado kkk.
    Beijão!

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  14. Olá, tudo bem? Que história mais engraçada. De fato na hora a gente não rir, mas depois relembrando os fatos vem a risada. Adorei a forma que você escreveu sua experiência, e gargalhei bastante hahaha
    Beijos,
    https://diariasleituras.blogspot.com/

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  15. Olá que história! Mais tenho certeza que não era tua hora rs, boa escrita adorei!

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  16. Nossa que história legal, mas é como falam não é? Para tudo tem sua hora e local.
    Você escreve muito muito bem, parabéns.

    Beijos

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  17. Olá,

    Gostei muito da história e sua escrita é ótima.

    Abraços,
    Cá Entre Nós

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  18. Muito Legal! Adorei a história.

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